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“Thermopylae – História do Clipper mais veloz do mundo”
O Coordenador do Outside Walls, Jorge Freire, é um dos principais autores do livro "Thermopylae – História do Clipper mais veloz do mundo", lançado em Maio.
Construído na Escócia, numa época em que o ferro estava a substituir a madeira na construção naval britânica, a construção compósita (madeira e ferro) do Thermopylae e de navios britânicos semelhantes do mesmo período, reflecte uma solução técnica muito específica, implementada durante um breve período e numa altura em que várias soluções construtivas eram utilizadas noutros lugares, incluindo noutros clippers, nomeadamente na América do Norte.
A história do Thermopylae, analisada na simples conjuntura político-económica do século XIX, resume-se a uma narrativa de um navio que foi rentabilizado numa economia livre-cambista, (que nunca deixou de ser em alguns aspectos mercantilista), perante uma política imperialista crescente que teve como um dos palcos expressivos a tentativa de domínio do pacífico. O Thermopylae, enquanto esteve ao serviço do império Britânico, navegou como transportador de matérias-primas entre a metrópole e a colónia, Austrália (independente em 1902); semi-colónia, China, e ex-colonia, Canadá (independente em 1845).
O Thermopylae, assim como o Cutty Sark que lhe está estreitamente associado, foram construídos e começaram as suas carreiras no mar numa época de profundas mudanças no universo da navegação global. Os vestígios ainda existentes debaixo de água, na Baía de Cascais, podem proporcionar um terreno fértil para a investigação, futura e enquadrada, subjacente às soluções estruturais implementadas durante um breve mas criativo episódio quando a madeira, num último sopro da construção naval britânica, pôde sobreviver ao lado do recém-chegado dominante, o ferro, alguns anos antes da emergência e da carreira durável do aço. "
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